terça-feira, 15 de abril de 2008

INCLUSÃO OU EXCLUSÃO?

INCLUSÃO OU EXCLUSÃO?
Antigamente o modelo de inclusão era o de integração. O aluno ia para a escola regular em dois casos:- só depois de ter cursado uma instituição (como a Apae, por exemplo) o aluno ia para uma turma “normal”- a criança ia para a escola regular e criavam-se salas especiais. Reuniam-se nessa sala todos os alunos portadores de dificuldades.Hoje é a intenção é outra: inserir o aluno numa escola regular. Na verdade, às vezes acho que o verbo correto não é inserir e sim jogar. No papel é lindo, mas o que vezes na prática é bem diferente: professores despreparados, infra-estrutura inadequada, preconceito dos próprios pais....Sei que é necessária uma revisão de conceitos e preconceitos no que se refere à inclusão. Sei também que eu preciso trabalhar melhor isso comigo mesmo. Mas estou cansada de resolveram fazer as coisas e jogaram para escola. Acredito na Educação. Gosto do que faço. Mas não dá pra ficar querendo salvar o mundo. Não dá pra jogar a responsabilidade pra nós professores e dizer: olha que lindo, o Brasil pratica a inclusão!Ando cansada porque sei e acredito que a escola é um lugar onde as mudanças podem acontecer. Mas, sozinhos não vamos fazer nada. Temos o poder, mas parecem que fazem de tudo para que não nos apossemos desse poder, não é?Vejamos o caso da inclusão: não perguntaram para mim se eu queria que esses alunos viessem para a escola regular. Não acho que o modelo antigo seja o correto, mas colocar um aluno numa sala de aula “comum” sem preparar o professor antes é crime. Uma sala de aula é muito heterogênea. Tem de tudo: alunos que aprendem facilmente e outros não. E muitas vezes temos dificuldades de lidar com esses que não aprendem. O que dirá o que necessita de cuidados especiais! Sabe por que não sabemos? Porque não nos ensinaram. Nos nossos cursos de formação ainda predominam a visão behaviorista: aquela em que se acredita em que a aprendizagem ocorre através da repetição. Na prática é assim: o professor fica lá na frente, usando giz e quadro, fala, fala, fala e quer que o aluno memorize tudo o que está no livro e o que ele falou...A educação está recheada de sintomas que dessa maneira não está dando certo. E insistimos nessa prática. Tem até um texto famoso que diz que se uma pessoa do século passado visitasse nosso mundo, o único lugar que ele se sentiria em casa é na instituição escolar.Se não está funcionando assim, o que dirá com quem tem outras necessidades... E aí, vejo uma luz no fim do túnel: quem sabe a inclusão não nos force a mudar. Falei no inicio que o tema inclusão me leva a mais perguntas e aí estão elas:• É só a escola que precisa fazer a inclusão? Nos EUA, pelo que vejo em filmes e leio em livros o Estado dá assistência social aos deficientes. Tem um fundo financeiro específico para estas pessoas. Eles podem inclusive morar sozinhos, custeados pelo governo. O governo cuida deles. Já que o governo brasileiro gosta tanto de copiar os americanos...
• Até quando nós professores vamos aceitar essas imposições? [No fim acaba “sobrando” para aqueles que não “fazem corpo mole” ou que querem agradar (fazer de bonzinho aos olhos dos outros).]
• E as Apaes? Vão deixar de existir?
• E os outros alunos não são prejudicados devido ao ritmo todo diferente da sala?
• Cabe só ao professor receber uma formação? E os dirigentes?Ao pensar nisso tudo, sinto que até sai fumaça da cabeça... Heheheeheh.... Cada questionamento remete a outros... Estão querendo extinguir as Apaes, quando sabemos que é necessário uma equipe multidisciplianar para atender estas crianças. Por acaso, o governo vai disponibilizar uma equipe multidisciplinar para cada criança? Talvez devêssemos pensar com a cabeça e não só com o coração... Afinal, é isso que percebo: pessoas sensíveis querem um tratamento igual para quem não é igual. E uma pergunta que insiste em martelar em minha cabeça: estamos incluindo ou excluindo? Porque colocar a criança numa escola regular sem as mínimas condições é excluir, é ser desumano. Convenhamos, não é uma decisão fácil de tomar: numa sala cheia você dá atenção a quem primeiro?

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